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Echoes Of Golden Thunder
Electronic

Echoes Of Golden Thunder

André SilvaAndré Silva
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Style: Orchestral, Energetic, male vocal, whisper, powerful vocals, drums, bass, synth, saxophone, aggressive, uplifting, nostalgic
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Lyrics

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Há um país na montra e outro na fila,

um vende o paraíso, outro conta a gasolina.

Há quem sirva o jantar sem poder lá comer,

quem levante uma casa sem nela poder viver.

Na televisão, o futuro está composto,

cá fora vem a renda e leva quase todo o ordenado.

A mãe adia os dentes, o pai disfarça o cansaço,

e o filho faz as malas para conseguir espaço.

Mudam nomes nas portas, promessas no papel,

mas quem espera uma consulta não se cura num painel.

Senhores do Estado, desçam à estação:

há gente a perder a vida à espera da ligação.

E eu ouço a minha terra perguntar baixinho:

«Como é que tanta estrada nos deixou sem caminho?»

Portugal, quem te leva o amanhã?

Quem te pede paciência de barriga sã?

Tens o mar à tua frente, tanta gente a partir,

quero um país onde dê para ficar e construir.

Portugal, levanta a voz,

o futuro deste chão também depende de nós.

Se o passado nos ensinou a não baixar o olhar,

que a coragem de outros tempos nos ensine a mudar.

Honro as mãos do meu avô, a enxada e a oficina,

a avó que fez milagres com tão pouco na cozinha.

Quem ergueu escolas, quem cuidou de alguém,

quem atravessou fronteiras para mandar mais algum vintém.

Honro quem enfrentou o medo e a censura,

quem trouxe Abril à rua e abriu a fechadura.

Os poemas, as cantigas, a ciência, o saber,

a coragem de perguntar quando mandavam obedecer.

Houve engenho sobre o mar, houve força para partir,

houve sombras nessa história que não quero repetir.

Não preciso de um passado sem feridas para o amar:

quero orgulho com memória e vontade de avançar.

Portugal, quem te leva o amanhã?

Quem te pede paciência de barriga sã?

Tens o mar à tua frente, tanta gente a partir,

quero um país onde dê para ficar e construir.

Portugal, levanta a voz,

o futuro deste chão também depende de nós.

Se o passado nos ensinou a não baixar o olhar,

que a coragem de outros tempos nos ensine a mudar.

Se continuarmos a adiar,

o interior fica sem vozes,

a escola fecha por falta de crianças,

e há mais uma cadeira vazia à mesa no Natal.

Mas o futuro ainda não aconteceu.

Está no que aceitamos,

no que exigimos,

e no que fazemos depois de desligar a televisão.

Quero ver quem nos governa dar a cara pelo erro,

ver a obra concluída, não só a foto no terreno.

Quero um jovem com salário para escolher o seu lugar,

sem ter de olhar para um voo quando pensa em avançar.

Uma escola onde se aprenda a pensar pela cabeça,

um serviço que responda antes que a esperança adoeça.

Quem trabalha merece tempo para viver,

quem envelhece, companhia e cuidados para valer.

Que a revolta tenha rumo, que a memória tenha chão,

que não caiba o nosso voto numa frase de ocasião.

Este país tem gente capaz de o reconstruir:

falta abrir-lhes as portas e deixá-las decidir.

Portugal, ainda tens amanhã,

mas não nasce de promessas nem de esperança vã.

Tens o mar à tua frente, tanta coisa por cumprir,

quero um país onde dê para ficar e construir.

Portugal, levanta a voz,

o futuro deste chão também depende de nós.

Honra os que te deram tanto, dá aos novos um lugar:

que a próxima geração tenha razões para ficar.

Do passado, a memória.

Do presente, a lição.

Do futuro, que se ouça:

«Valeu a pena ficar.»

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