
Echoes Of Golden Thunder
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Lyrics
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Há um país na montra e outro na fila,
um vende o paraíso, outro conta a gasolina.
Há quem sirva o jantar sem poder lá comer,
quem levante uma casa sem nela poder viver.
Na televisão, o futuro está composto,
cá fora vem a renda e leva quase todo o ordenado.
A mãe adia os dentes, o pai disfarça o cansaço,
e o filho faz as malas para conseguir espaço.
Mudam nomes nas portas, promessas no papel,
mas quem espera uma consulta não se cura num painel.
Senhores do Estado, desçam à estação:
há gente a perder a vida à espera da ligação.
E eu ouço a minha terra perguntar baixinho:
«Como é que tanta estrada nos deixou sem caminho?»
Portugal, quem te leva o amanhã?
Quem te pede paciência de barriga sã?
Tens o mar à tua frente, tanta gente a partir,
quero um país onde dê para ficar e construir.
Portugal, levanta a voz,
o futuro deste chão também depende de nós.
Se o passado nos ensinou a não baixar o olhar,
que a coragem de outros tempos nos ensine a mudar.
Honro as mãos do meu avô, a enxada e a oficina,
a avó que fez milagres com tão pouco na cozinha.
Quem ergueu escolas, quem cuidou de alguém,
quem atravessou fronteiras para mandar mais algum vintém.
Honro quem enfrentou o medo e a censura,
quem trouxe Abril à rua e abriu a fechadura.
Os poemas, as cantigas, a ciência, o saber,
a coragem de perguntar quando mandavam obedecer.
Houve engenho sobre o mar, houve força para partir,
houve sombras nessa história que não quero repetir.
Não preciso de um passado sem feridas para o amar:
quero orgulho com memória e vontade de avançar.
Portugal, quem te leva o amanhã?
Quem te pede paciência de barriga sã?
Tens o mar à tua frente, tanta gente a partir,
quero um país onde dê para ficar e construir.
Portugal, levanta a voz,
o futuro deste chão também depende de nós.
Se o passado nos ensinou a não baixar o olhar,
que a coragem de outros tempos nos ensine a mudar.
Se continuarmos a adiar,
o interior fica sem vozes,
a escola fecha por falta de crianças,
e há mais uma cadeira vazia à mesa no Natal.
Mas o futuro ainda não aconteceu.
Está no que aceitamos,
no que exigimos,
e no que fazemos depois de desligar a televisão.
Quero ver quem nos governa dar a cara pelo erro,
ver a obra concluída, não só a foto no terreno.
Quero um jovem com salário para escolher o seu lugar,
sem ter de olhar para um voo quando pensa em avançar.
Uma escola onde se aprenda a pensar pela cabeça,
um serviço que responda antes que a esperança adoeça.
Quem trabalha merece tempo para viver,
quem envelhece, companhia e cuidados para valer.
Que a revolta tenha rumo, que a memória tenha chão,
que não caiba o nosso voto numa frase de ocasião.
Este país tem gente capaz de o reconstruir:
falta abrir-lhes as portas e deixá-las decidir.
Portugal, ainda tens amanhã,
mas não nasce de promessas nem de esperança vã.
Tens o mar à tua frente, tanta coisa por cumprir,
quero um país onde dê para ficar e construir.
Portugal, levanta a voz,
o futuro deste chão também depende de nós.
Honra os que te deram tanto, dá aos novos um lugar:
que a próxima geração tenha razões para ficar.
Do passado, a memória.
Do presente, a lição.
Do futuro, que se ouça:
«Valeu a pena ficar.»