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Lida Na Estrada
Acoustic

Lida Na Estrada

MineirinhoMineirinho
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Style: Traditional Brazilian musica caipira raiz, moda de viola, viola caipira as MAIN instrument, viola caipira intro and solos, rustic countryside male vocal, acoustic only, old-fashioned rural Brazilian folk, NO pop, NO electronic, NO modern sertanejo, male vocal, guitar

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# EU ESTIVE LÁ

### Joaquim Vieira Sobrinho

Nos anos oitenta eu tinha um bar,

tira-gosto não podia faltar,

mas a carne cozida era a preferida,

que fazia o freguês voltar.

Motorista e trocador de ônibus

sempre paravam pra prosear.

Era um tempo de vida apertada,

tudo tinha preço pra respeitar,

o lucro pequeno, trabalho dobrado,

e ainda tinha que aguentar.

Tinha polícia querendo desconto,

oitenta por cento eu tinha que dar.

Se eu dissesse não, vinha ameaça:

“Seu bar nós podemos fechar.”

Engolia seco, baixava a cabeça,

tinha família pra sustentar.

Pouca gente sabe o que eu passei...

**mas eu estava lá!**

**REFRÃO**

**Eu estive lá, eu posso contar,**

**quanto custou pra minha família eu criar.**

**Caí muitas vezes, tornei levantar,**

**meu Deus deu a força pra eu continuar.**

**Hoje eu tenho pouco, mas posso falar:**

**anos de chumbo não podem voltar!**

**Sou Joaquim Vieira Sobrinho, com honra, sim senhor,**

**trago as marcas da luta e no peito o meu valor!**

Eu vim da roça pra trabalhar,

em hotel aprendi a servir,

fui garçom em hotel e restaurante,

sem escolher hora pra sair.

Mendes Júnior, Açominas,

quanto chão ainda percorri.

Trabalhei em festa e buffet,

vinte e duas horas sem parar,

Natal pra mim era serviço,

não tinha tempo pra descansar.

Tinha mãe, filha e sobrinhos,

dependendo do meu trabalhar.

Minha riqueza nunca foi dinheiro,

foi ter pra quem me dedicar.

Cada prato, cada madrugada,

tinha um motivo pra aguentar.

Quem carrega a família nos ombros

cansa... mas não pode parar.

**REFRÃO**

Eu estive lá, eu posso contar,

quanto custou pra minha família eu criar.

Caí muitas vezes, tornei levantar,

meu Deus deu a força pra eu continuar.

Hoje eu tenho pouco, mas posso falar:

anos de chumbo não podem voltar!

Sou Joaquim Vieira Sobrinho, com honra, sim senhor,

trago as marcas da luta e no peito o meu valor!

Hoje não tenho fortuna,

mas tenho um sofá pra descansar,

olho minhas mãos calejadas

e agradeço por aqui chegar.

Deus me deu minha aposentadoria,

agora eu posso sossegar.

E a minha filha Rosângela

me deu mais um sonho pra realizar:

vai levar este velho guerreiro

pros Estados Unidos passear.

Quem passou a vida trabalhando

também merece aproveitar!

**REFRÃO FINAL**

**Eu estive lá, eu posso contar,**

**caí muitas vezes, tornei levantar!**

**Se hoje descanso, eu tive que lutar,**

**foi Deus lá de cima a me acompanhar.**

**Não tenho riqueza pra me exibir,**

**mas tenho uma história que dinheiro não vai comprar!**

**Sou Joaquim Vieira Sobrinho,**

**e digo com orgulho, onde eu chegar:**

**trabalhei a vida inteira...**

**agora é minha vez de descansar!**

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